Das festas do “Espírito Santo”

11 01 2008

(Festa do Espírito Santo, nos Açores in http://www.orfeao.up.pt)

A Ordem do Templo, situada tão de perto do projector fundador da Nacionalidade e da primeira gesta conquistadora afonsina tinha entre os seus projectos, o de fundar uma ordem universal - necessariamente transversa às realidades estatais ou monárquicas - que assente no corpo de pensamento e profecia de Joaquim de Fiore pretenderia fazer estender a todo o mundo uma nova forma de governação, de estado supra-nacional, onde as confrarias templárias assumiriam o papel irradiador e unificador… Esta era a verdadeira e mais plena ambição templária e aquela que tão bem frutificou em Portugal, no reinado de Dom Dinis, ou melhor dizendo, no duplo-reinado de Dom Dinis e de Isabel de Aragão, no século XIV português. É neste reinado brilhante que estas ideias templárias assentam arraias e encontrando terreno fértil em diversas práticas populares encontramos a aparição das primeira “festas do Espírito Santo”, às quais os monarcas dedicavam uma muito especial atenção, como descrevia Rui de Pina: “(…) a graça do Espírito Santo de que era acesa de todo causava (…) um louvado sossego e grande devoção (…)”

Seriam estas “festas” que depois se espalhariam por aquele que era então e que viria a ser (sobretudo), o “mundo português”, desde o interior de Portugal até aos Açores e ao Brasil, onde ainda hoje se mantêm bem vivo…

Uma das principais cerimónias daquele a que se chamava então de “Auto do Império” era a coroação tripla de um menino enquanto “imperador do Espírito Santo” assim como de dois outros homens, o mais velho enquanto “Pai” o mais novo, enquanto “Filho”, assumindo assim o papel da Santíssima Trindade do dogma católico. Seria este “menino-imperador” que recebia as homenagens do Povo e ordenaria a libertação dos presos, uma das três cerimónias essenciais a estas festas e rituais plenos de significado e que culminariam na “Boda dos Pobres” ainda hoje presente na língua comum portuguesa (ver AQUI) e onde todos, independentemente do seu estado social ou importância tinha lugar e partilhavam da mesma refeição, numa espécie de antevisão de um Futuro “quinto imperial” onde todos teriam o mesmo lugar na mesa simbólica da partilha das dádivas do Mundo e numa Fraternidade Universal que, ao fim ao cabo, estava no próprio cerne da visão templária…