Origens da Festa do Divino

          Segundo o Centro ERNESTO SOARES de Iconografia e Simbólica, a instituição das festas do Império do Divino Espírito Santo celebrando o Pentecostes (representação da descida do Paráclito sobre os apóstolos) anda atribuída à Rainha Santa Isabel, na sua vila de Alenquer, em data que não obteve ainda o consenso dos investigadores.

          A. Rodrigues de Azevedo adianta, baseado numa escritura que existiu na Câmara de Alenquer, o ano de 1280.

          Enquanto Jaime Cortesão, adotando sugestão de frei Manuel da Esperança e tendo à vista documentos do Arquivo de Alenquer, afirma ter sido o Convento de S. Francisco da mesma vila o palco da sua primeira realização, em 1323.

         Outros autores optam pelo Paço da Vila de Sintra sem, contudo, especificarem a ocasião do evento.

          Porém, já no Compromisso da Confraria do Espírito Santo de Benavente, o mais antigo que se conhece, coevo da fundação da igreja do Espírito Santo dessa localidade que presumivelmente se verificou no primeiro quartel do séc. XIII, se alude à festividade do Império, o que leva a supor a sua concretização aí anteriormente a 1280, promovida ou inspirada por franciscanos de tendência espiritual. Os mesmos que secundando o proselitismo de Santa Isabel lograriam levá-la a patrocinar e, porventura, institucionalizar nos inícios do séc. XIV tais festejos com um aparato nunca antes visto, o que terá contribuído para radicar a tradição segundo a qual sob a sua égide e de D. Dinis se haviam originado.

Pintura de Hildebrando Silva

 

         A Festa dos Tabuleiros (Tomar - Portugal) considerada a mãe de todas as festas ao Divino Espírito Santo celebradas nos Açores, Brasil e América do Norte, e uma das mais famosas festas de Portugal, a festa dos Tabuleiros é uma majestosa ação de graças à abundância de pão, evocada na inesquecível procissão de ofertantes que desfilam de branco com lindos tabuleiros à cabeça, bem enfeitados de pão, flores de papel, espigas de trigo e verdura. Atualmente esta Festa realiza-se de 4 em 4 anos.

         A implantação das Festas do Divino Espírito Santo em terras de Portugal é, por norma, atribuída à mui amada Rainha Santa Isabel, a dama do milagre do pão e rosas.

         Em 1282, a Infanta Isabel de Aragão foi dada em casamento ao jovem D. Dinis, Rei de Portugal. Isabel, mulher de uma fé inabalável e coração terno, resistiu às investidas iradas do seu esposo, pois este considerava impróprio que a Rainha se mesclasse com os pobres e despojados do seu reino, entre os quais os Judeus Sefarditas, freqüentemente perseguidos na Península Ibérica. Mas Isabel, devido às suas fortes convicções cristãs, ignorava as repreensões do esposo, saindo freqüentemente pelas portas traseiras do palácio, disfarçada de mulher do povo para levar esmolas aos seus sujeitos mais carenciados. Utilizou toda a sua influência real para proteger os Judeus, os quais mais tarde a proclamaram a Rainha Santa pela proteção e benevolência que lhes dedicou.

         Reza a história que certo dia enquanto a Rainha passava pelos jardins, dirigindo-se as portas do palácio, com pão para os pobres em seu avental, esta cruzou-se com o seu esposo. O rei a interpelou:

"Senhora, que levais em seu regaço?".
"Nada, Senhor. Rosas apenas".
"Vejamos, então".
A rainha abriu o seu avental e caíram rosas ao chão.
          Origem alemã: Nos Fastos Açorianos do o Sr José Torres encontramos que

          «Fomes apertadas nos estados allemães determinaram um dos imperadores da dynastia, Othon, a lançar os fundamentos desta instituição, como banco formado de esmolas para acudir a pobres nos anos de penúria. Da divindade que invocavam, do imperante que tomara a iniciativa, nasceram os festejos religiosos, que a confraria imperial votara ao culto do Espírito Santo nesta quadra do anno, devoção e costume que de lá se propagou pelos estados da Europa Christã, cujos reis marcharam á frente da obra a seu modo civilisadora e humanitária, até que o povo lIehs foi usurpar o privilegio e se apoderou da instituição pia . . . »