O Imperador do Divino

( Do livro : O Império do Divino de Martha Abreu)

    "O imperador do Divino é uma outra parte bastante interessante do cortejo e da própria festa. Manoel Antonio de Almeida refere-se a ele como uma figura deveras "extravagante", empunhando os símbolos do poder, a coroa, o cetro, às vezes de valor "inestimável", o espadim e a bandeira do Divino."

    "O costume vinha de Portugal, como vimos, e permaneceu na colônia, chegando, com muitas semelhanças até os dias de hoje, a locais onde ainda é celebrada a festa do Divino, como em Parati e em Pirenópolis."

    Vieira Fazenda descreve,  assim, a presença do imperador nas festas: "Chegado o domingo de Pentecostes efetuava-se a missa cantada, antecipada pela coroação do imperador (por um sacerdote), que era obrigado a permanecer no "império"durante os três dias da festa, para receber as homenagens, esmolas e donativos, e presidir ao leilão das prendas. Em geral eram meninos de menos de 12 anos os escolhidos para cingir a coroa, mas em muitas ocasiões tal cargo era desempenhado por adultos, tirados à sorte dentre os irmãos. Se o eleito tinha "com quibus", corria com todas as despesas da festança, mas se o imperador era falto de meios, a irmandade, à custa das esmolas recebidas, não deixava o monarca ficar mal."

    "Investiam-se de direitos majestáticos, planejando, como em Salvador, a ida à cadeia para pagar as fianças dos presos por dívidas; ou, como no Rio de Janeiro, realizando determinados caprichos, ao exigirem, por exemplo, reverência especiais de seus "súditos", dentre eles o vice-rei conde da Cunha, e ao forçarem a irmandade a acompanhá-los todas as vezes que desejassem "ir ao mato"."

 

www.portaldodivino.com