A Festa do Divino em Sabará  

Minas Gerais - Brasil

Início da Festa: Convite e programação

 

 FESTA DO DIVINO EM SABARÁ  - 2006

          Nos dias 3 e 4 de junho foi realizada a tradicional Festa do Divino Espírito Santo em nossa cidade. Neste ano, a festa teve um significado especial para a Faculdade de Sabará, pois um dos festeiros foi nosso Diretor Jurídico e Vice-Presidente da Mantenedora, Dr. Marcelino Guerra, que, no ano passado, foi sorteado o “Imperador do Divino”, dando continuidade a uma tradição de 234 anos da Festa do Divino em Sabará. O “Imperador do Divino” conduz a Coroa do Divino Espírito Santo durante as solenidades, além de ser o responsável pelos festejos do Domingo de Pentecostes. O outro festeiro, intitulado “Mordomo do Divino” e também sorteado no ano passado, foi o Dr. Argemiro Ramos, Advogado de Sabará. O “Mordomo” conduz a Bandeira do Divino nos festejos do sábado de véspera, pelos quais é responsável.

As festividades têm início 40 dias antes do Domingo de Pentecostes, data em que se comemora o aniversário da fundação da Igreja Católica, e quando é realizada a Procissão da Coroa do Divino, promovida pela  Sociedade do Divino Espírito Santo, fundada em  Sabará, no ano de 1772 e hoje composta por 250 homens.

A celebração do Divino Espírito Santo, também conhecida como Folia do Divino, faz parte do ciclo da Ressurreição de Cristo. Essa tradicional festa teve origem no século XIII, em Portugal, e foi idealizada pela Rainha Santa Isabel. As festividades eram realizadas em Lisboa e a Rainha convenceu seu esposo, o Rei Dom Dinis, que no Dia do Divino ele deveria colocar sua coroa sobre a cabeça das crianças e das pessoas com menor condição social. Com esse ritual, ela procurava demonstrar, em ambiente festivo e de partilha fraterna, que, perante Deus, somos iguais e que o Império do Divino só se consolidará quando não houver mais pobres e quando todos forem, em pureza de coração, iguais às crianças. Com o tempo, os navegantes portugueses levaram a todos os continentes a magnificência do real espetáculo da procissão, com o Imperador do Divino, a coroa e sua corte, a bandeira, o mastro, a pomba branca de asas abertas, as danças e contra-danças, que são os principais elementos cênicos representativos do Império do Divino e de fé cristã. No Brasil, as solenidades foram enriquecidas com  a cultura  colorida e  alegre dos povos da África, que incluíram nos festejos as comemorações do sábado de véspera.

Em Sabará, as festas do sábado, dia 3 de junho, iniciaram-se às 19 horas, com a saída do Grupo de Congado, que deixou a casa do Prof. Pedro Paulo Pereira, conduzindo a Bandeira do Divino até a casa do “Mordomo”, na Rua 13 de Maio, onde foi celebrada Missa Campal, pelo Padre Nilson Santana. Servido um café acompanhado de quitandas, foi realizada uma procissão luminosa, conduzindo a Bandeira até a Praça da Matriz, onde ela foi hasteada sob o som de muita música, cantos e fogos. Já no dia 4 de junho, o Domingo de Pentecostes, foi realizada uma das maiores  Festas do Divino já ocorridas em Sabará, segundo pessoas da própria cidade. O acontecimento teve repercussão até na TV Globo, que noticiou o evento em seus programas “Bom Dia Minas” e “MG TV”, além de registrá-lo em seu site, onde afirma terem comparecido cerca de 5 mil pessoas.

O evento teve início às 6 horas de uma agradável manhã, com a “Alvorada” no Centro Histórico, comandada pela Banda de Música da Sociedade Musical Nossa Senhora da Conceição da Lagoinha, de Belo Horizonte. Em seguida, na residência da Profª. Maria de Lourdes Guerra Machado, no Centro Histórico, foram servidos vinho e a tradicional “Açôrda Portuguesa” a mais de 500 pessoas. A seguir, às 7 horas e 30 minutos, no mesmo local, teve início a Procissão da Coroa do Divino. Na frente, liderava  a Bi-Centenária Banda da Sociedade Musical Santa Cecília, percorrendo as Ruas Dom Pedro II, Borba Gato e Carmo. Todas as casas da Rua Dom Pedro II e a maioria das outras casas do percurso exibiram em suas janelas toalhas brancas e, sobre estas, flâmulas vermelhas do Divino. Conduziram a Procissão, sob uma chuva de fogos de artifício, os Arautos do Evangelho, com a cruz alçada de prata e um estandarte de três metros, enquanto um trompetista entoava o toque e dava vivas ao Divino Espírito Santo. Ao passar em frente à Prefeitura Municipal, houve uma breve solenidade, quando o nosso Acadêmico de Administração, Paulo Roberto Coelho Júnior, leu um texto sobre a Procissão e solicitou que o Dr. Marcelino Guerra, “Imperador do Divino” colocasse a Coroa sobre a cabeça do Prefeito Municipal e Sócio da Sociedade do Divino, Dr. Sérgio de Freitas, pedindo às Bênçãos do Espírito Santo para o povo de Sabará, na pessoa do Prefeito Municipal.

A Procissão foi composta por duas alas, dentro das quais haviam diversos grupos. O primeiro grupo era composto por crianças, representando o Imperador Dom Pedro I , a Imperatriz Dona Leopoldina e seus Guardas Imperiais.

O segundo grupo, com um grande "banner", homenageava a Torrente de Graças que emana do Espírito Santo para os povos de todos os continentes. Esse grupo,  também composto por crianças, sendo a maioria filhos ou netos de Professores ou Funcionários da Faculdade, representava duas nações de cada continente. Para a América, vinha um representante do Brasil e outro dos Estados Unidos; para a África, um do Congo e outro da Nigéria; para a Ásia, um do Japão e outro da Mongólia; para a Europa, um de Portugal e outro do Vaticano e, finalmente, para a Oceania, um do Tahiti e outro de Samoa.

No grupo seguinte, mais crianças representavam os Dons do Espírito Santo. Todas elas segurando flâmulas  com os dizeres: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor a Deus. Perfazendo outro grupo, mais crianças traziam flâmulas que representavam os Frutos do Divino Espírito Santo: Caridade, Alegria, Paz, Paciência, Longanimidade, Bondade, Benignidade, Mansidão, Fidelidade, Modéstia, Continência e Castidade.

E, finalmente, o último grupo de crianças representava as Virtudes. Carregavam flâmulas  com os dizeres: Prudência, Temperança, Justiça, Fortaleza, Fé, Esperança e Caridade.

Já em outro grupo, formado por homens, seguia um "banner " do Sopro da Vida, que fazia menção ao Antigo e ao Novo Testamento.

Outro grupo, composto por adultos, simbolizava Nossa Senhora e os Apóstolos, lembrando que eles estavam reunidos em Jerusalém, no Domingo de Pentecostes, quando a casa foi sacudida por uma forte ventania e todos ficaram cheios do Espírito Santo. Logo atrás, vinha  o grupo da Corte Real Celeste,  composto de meninas vestidas de anjo, tocando harpas, flautas, cítaras e címbalos.

O grupo Andor do Divino Espírito Santo era composto de homens que conduziam o “Resplendor do Divino”, magnífica escultura em cedro, do século XVIII. Logo depois, vinham o “Imperador do Divino” e o “Mordomo do Divino”, dentro de um triângulo metálico, carregado por três meninos vestidos de diáconos do período colonial. O “Imperador” levava nas mãos a Salva e, sobre esta, a Coroa do Divino Espírito Santo. O Mordomo portava o Cetro Imperial.

Acompanhando o Imperador e o Mordomo, vinha o  grupo daqueles que haviam sido anteriormente Imperadores ou Mordomos, conduzindo seus estandartes e portando seus distintivos. Encerrando os grupos,  vinham os  representante da Comunidade Acadêmica da Faculdade de Sabará, a qual tem como Patrono o Divino Espírito Santo. Eram cerca de 50 pessoas, a maioria Acadêmicos, sendo que, na frente, levando o estandarte da Faculdade, ia a Professora Virgínia Vitor Evangelista (ex-Aluna da Faculdade) e mais cinco professores da Faculdade: Rodrigo Maia, Rogério Visacro, João Pedro Martins, Maria da Glória Ribeiro e Rogério Alberto Del Rio Hamacek, além de funcionários e filhos dos Acadêmicos. Outros Professores da  Instituição também participaram da procissão, compondo as alas. Finalizando a procissão, seguia a Banda de Nossa Senhora da Conceição da Lagoinha.

Durante a procissão, por diversas vezes, o “Imperador” foi solicitado a entrar em residências para colocar a Coroa do Divino sobre a cabeça de pessoas idosas ou enfermas, mostrando a fé do nosso povo.

A Procissão chegou à Igreja do Carmo e em seu adro foi celebrada Missa, pelo Padre Nilson Santana e pelo Padre Luiz Fernando de Oliveira. Dentro da igreja, totalmente ocupada, a Missa foi retransmitida por telão, tendo um intérprete da Pastoral de Surdos participando com a linguagem de sinais. Ao final da Missa, a Procissão seguiu para a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e, durante o percurso, foram distribuídos 5 mil pães e 5 mil medalhas do Divino para os presentes. Na Matriz, foi realizado o sorteio dos novos escolhidos, perante mais de 200 pessoas que ali permaneceram para assistir e testemunhar. O sorteio, realizado pelos membros da Sociedade do Divino Espírito Santo, é muito interessante, porque uma das sacolas contém papeletas com  títulos de servidores de um palácio medieval e a outra, contém os nomes dos sócios. Os papéis são sorteados por crianças e anunciados pelos Diretores da Sociedade, em mistura de grande suspense e descontração, tendo em vista os títulos inusitados dos cargos e os nomes das pessoas a quem são atribuídos, até que saem os nomes dos dois festeiros (Imperador e Mordomo).

Os premiados para o próximo ano foram: “Imperador”: Sr. Antônio Fernando da Rocha; “Mordomo”: Sr. Jurandir Teixeira Pimentel.  Ambos estavam presentes e foram muito ovacionados e cumprimentados. Vale lembrar que o Padre Luiz Fernando prestigiou também a solenidade de encerramento, permanecendo até o seu final.

Aguardamos ansiosamente o ano de 2007, para participarmos de outra belíssima Festa do Divino de Sabará, nos dias 26 e 27 de maio. Até lá!

 

Autoria das Fotos :Joaquim Leme e Joaquim Júnior do Foto "Cecílio" (de Sabará).

Texto para “O Acadêmico”, enviado por nosso amigo Dr. Maria Guerra.