O Bodo no Canadá - Ontário - Toronto

Data:  DOMINGO 6 DE AGOSTO 2006
Título:  FESTAS E MORDOMIAS

Festas e Mordomias

As nossas gentes, tem muita fé e devoção na nossa crença religiosa, com grande particularidade as grandiosas festas e mordomias em honra do Divino Espírito Santo, não importa de onde somos, sejamos da Madeira, Açores ou Continente, o importante é sabermos respeitar os nossos bons princípios.

Os açorianos em particular tem e sentem forte devoção em tudo quanto é religioso, de modo especial quando se trata de festividades em honra do Espírito Santo.

Principalmente os de origens da tão querida ilha de São Miguel, devido as grandes aflições das horas até mesmo dias amargos e de incertezas daquela ilha do Arcanjo, situada no meio do Oceano Atlântico como todas as outras ilhas estão, desprotegidas de todas as tempestades e das bravas ondas dos Mares...

Desde então, este povo tão sofredor das terríveis tempestades com fortes abalos de terra, fazendo tremer toda a terra da ilha de São Miguel, mais propriamente Vila Franca do Campo e a freguesia da Ribeira Seca nesta mesma ilha, a população inteira ao ver e sentir todo este sofrimento e angustia, acharam um único caminho a seguir, que foi recorrer e pedir a intervenção do poder da força do Divino Espírito Santo, só aquele poder Divino os podia valer, depois de muitas lágrimas derramadas.

Muitos anos mais tarde, e com o passar dos tempos, e de todas as aflições, estas devoções Divinas caíram ao esquecimento da população, reiniciando-se tempos depois, pelas freiras do Convento de Santo André em Vila Franca do Campo, desta mesma ilha, dedicando então estas grandes festividades em honra do Divino Espírito Santo, “ a 15 de Setembro de 1662 “ D. Manuel da Câmara”, recebeu o título de “Conde”, passando então a reavivar o culto ao Espírito Santo, “D. Mércia” de tão ansiosa de concretizar um dos seus maiores sonhos, desabafou-os com as freiras do mesmo Convento em Vila Franca, onde recomendaram-lhe a invocação e devoção ao Espírito Santo, para que assim pudesse receber este seu grande desejo.

Em Novembro de 1665, formaram uma Irmandade, e logo no ano seguinte, realizou-se o primeiro Império com muita fé, dedicado em honra do Espírito Santo, a partir dai, nunca mais parou, passando a ser festejado em todas as ilhas Açorianas, com algumas diferenças, mas com a mesma fé e devoção ao Divino Espírito Santo, e com um sentido muito importante, que era dar esmolas aos mais carenciados, por isso estes festejos também são conhecidos por festas da Caridade, onde os mais pobres não devem ser esquecidos, infelizmente nestes nossos dias em que vivemos, devido à "ganância", os mais desfavorecidos são esquecidos.

Eu como oriundo da Ilha de São Miguel, Açores, adoro falar das tradições da terra onde nasci e me criei, de modo especial da Vila de Rabo de Peixe, meu berço natal, de modo algum sem querer ofender ninguém porque todos tem as suas ricas tradições, mas as tradições da minha terra são as que eu mais conheço, naquela Vila, estas festas do Divino estão bem vivas, as novas gerações estão a leva-las em bom caminho, estão bem vivas nos corações daquele povo, é naquela Vila que existe algo de diferente e únicas como não à em parte alguma.

Na Vila de Rabo de Peixe existe seis Impérios que são, São Sebastião, Praça, Rosário, São João, São Pedro e Caridade, e ainda o império das crianças, todos com suas coroas e bandeiras, mas à ainda duas grandiosas festas também divinas mas que não à coroas, mas sim duas riquíssimas bandeiras com o símbolo do Espírito Santo, uma chama-se Bandeira da Beneficência, a outra chama-se Bandeira da Caridade, sendo estas as únicas do Arquipélagos dos Açores, celebradas de maneira diferentes.

Tudo é decorado com as mais belas flores do campo, embora não seja como outrora, que eram usadas as flores dos quintais da vizinhança, sem esquecer o aroma saudável das criptomérias que ornamentam o barracão onde são depositadas as carnes dos animais abatidos para as pensões dos irmãos, a ainda os carros de bois que carregam estas mesmas carnes, para serem distribuídas, com as mais belas decorações dos chavelhos.

Durante uma semana em casa do mordomo, à grande alegria e musica por todos os lados, bailinhos originais dos nossos pescadores que são muito afamados, a juventude vive aqueles dias com intensa alegria, naquelas casas, reina as mais vivas alegrias, com paz e harmonia, sobretudo no meio familiar, sem esquecer os amigos, porque eles também fazem parte desta alegria, desde o mais novo ao mais velho, até mesmo os netos não ficam a traz, afinal assim é que são as festas em honra do Espírito Santo, isso é que é confraternidade.

Por: Carlos e Natividade Ledo
Mississauga, Ontário, Canadá
natividade@sympatico.ca
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