Festa do Divino
"Folia da Roça"


       A população do Nordeste Goiano é profundamente devota do Divino Espírito Santo. Passada a festa da Páscoa começam os preparativos para a Festa do Divino. O primeiro sinal dos festejos são as Folias que começam a girar nas fazendas e povoados da região, chamadas de Folia da Roça. 
       A origem da festa é portuguesa, tendo sido idealizada pela
Rainha Izabel, esposa do Dom Diniz, para pagar uma promessa feita ao Divino Espírito Santo por ocasião de uma graça alcançada.
       Na
Diocese de Formosa, a Folia da Roça se caracteriza pela mobilização de pessoas, homens e mulheres, que com seus lenços vermelhos amarrados ao pescoço, e munidos de um violão, tambor, viola e rebeca, percorrem grandes distâncias apresentando seus benditos e cantorias em louvor ao Divino Espírito Santo.
       O responsável pela folia é o
Guia, pessoa encarregada de fazer a alvorada e a entrega da mesma na igreja, bem como distribuir as tarefas durante o giro. Os foliões lhe prestam obediência e acatam suas ordens. O Alferes é a pessoa que conduz a Bandeira durante o giro podendo repassá-la a uma outra pessoa, se desejar, ou se, por acaso, estiver cumprindo um voto.
       O
giro da folia é previamente preparado. As fazendas a serem visitadas são escolhidas pelo guia e pela organização dos festejos. Quem oferece o pouso deve também se responsabilizar pela alimentação dos foliões e visitantes. Tudo é servido gratuitamente e muitas vezes se recorre a partilha dos vizinhos para poder alimentar a todos. O fato é que não se tem notícia de que em determinado pouso, um dia, tenha faltado comida. É o verdadeiro milagre da multiplicação.
       A casa que recebe a folia é devidamente preparada. Próximo da residência se planta um
cruzeiro que posteriormente é ornamentado com os símbolos do Batismo: água, velas, sal e toalha branca. Muitos foliões costumam fazer o "batismo" do cruzeiro durante a saudação. A Igreja recomenda que não se faça este rito, pois o Batismo destina-se às pessoas e não a objetos. Do cruzeiro até a porta principal da residência são plantadas bananeiras formando um corredor por onde são conduzidos os foliões em direção ao Altar preparado em uma das salas da casa. No Altar, além da Bandeira do Divino, são também colocadas outras imagens de devoção dos proprietários da casa. A imagem de Nossa Senhora Aparecida, acompanha sempre o giro da folia. Os foliões se detém por um longo tempo na saudação do Altar e em sua cantoria mencionam tudo o que sobre ele foi colocado. 
       Após a saudação é servido o jantar, antes porém, se canta o
Bendito da Mesa, que consiste em dar algumas voltas em torno da mesma cantando versos, agradecendo a Deus pelos alimentos recebidos e pedindo as bênçãos para aqueles que ofereceram o alimento. Os  foliões são os primeiros a se alimentarem, em seguida servem-se  os visitantes e convidados.
       Terminada a refeição começa a parte folclórica da festa. Os foliões armam-se de chapéu e botina e começam a dançar
catira e curraleira, danças estas que consistem em acompanhar o som da viola com palmas e sapateados.Na maioria das comunidades apenas os homens participam.
       Os foliões, ao saírem para a folia, observam um verdadeiro ritual. Não podem retornar à suas casas nem manter relação sexual com suas esposas. Não fazem uso de bebida alcoólica e nem de armas de fogo ou branca. São obrigados a usar o distintivo. As mulheres têm que usar roupas adequadas para uma festa religiosa. Na “mussunga” das mulheres os homens não podem entrar. É bom esclarecer que a
“mussunga” é uma pequena barraca onde são guardadas as redes, é servido o café para os visitantes e muitos aproveitam o local para dormir.
       O percurso da fazenda até a cidade é feito no lombo de cavalos que são oferecidos pelos fazendeiros. A tropa é grande. Dependendo da folia, chega a ultrapassar quinhentos animais.


       O maior símbolo da festa é a
Bandeira do Divino que representa o Divino Espírito Santo. É levada sempre à frente do cortejo. Possui cor vermelha e tem no centro a imagem de uma pomba branca ornada com fios dourados e fitas coloridas. O vermelho representa o Divino Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Representa o amor e o sangue dos mártires. A pomba é símbolo de mansidão, humildade e amor, virtudes necessárias para ser verdadeiro devoto do Divino. As fitas representam os dons do Espírito Santo, suas graças e seus favores derramados sobre a humanidade. Beijar a Bandeira é uma demonstração de devoção e respeito pela Divindade.


       A Igreja de Formosa tem um profundo respeito pelos foliões e pelas manifestações culturais e religiosas do Povo de Deus. Ultimamente tem designado um padre para acompanhar os foliões, sendo o seu diretor espiritual. A função do
diretor espiritual é orientar os foliões naquilo que se refere às normas da Igreja e formação espiritual para todos aqueles que gostam de acompanhar a folia. A Folia da Roça conta com as bênçãos e orientação da Igreja.

Pe. João B. Assunção 
Coordenador Diocesano de Pastoral